O impacto de contar novidades que ainda não aconteceram

Você é capaz de lembrar quantas vezes já se animou com uma QUASE novidade que foi logo contar para alguém? Aquilo que ainda, de fato, não tinha se concretizado, mas você não aguentou tamanha a alegria ou ansiedade e saiu comentando por aí? Pois é, a boa notícia é que você não está sozinho nessa. Pelo contrário, você é só mais um nesse mundo de gente que age ou já agiu dessa maneira. Inclusive eu, claro.

Neste artigo, quero compartilhar o que aprendi e mudei na minha maneira de pensar e agir com relação a este assunto. E claro que estou falando apenas daquelas novidades que você conta antecipadamente e que por qualquer motivo (e nem importa quais sejam) acabam não se tornando realidade.

Em maior ou menor grau, todas as pessoas gostam de chamar atenção, de serem bem vistas, elogiadas e, por que não, aplaudidas. Quem não iria gostar? As pessoas querem que os outros reconheçam seu valor e seu crescimento seja numa situação de trabalho, amorosa ou familiar. Pode ser quando você ACHA que foi promovido, quando você ACHA que aquela viagem finalmente saiu do papel, quando você ACHA que aquela negociação está fechada ou mesmo quando você ACHA que conseguiu aquele emprego. E não importa como o outro que ouve a tal da novidade vai agir, contanto que aja reconhecimento em sua atitude está tudo certo para você: teremos nossas expectativas atendidas. A pessoa que escuta pode saltar os olhos, ficar de boca aberta, gritar, bater palmas, te dar um abraço, tanto faz.

O fato é que poucas são as pessoas que realmente conseguem conter a vontade de passar pelo êxtase momentâneo porque todo ser humano é movido ao prazer e repelido ao que não é. Se tenho uma atividade que considero chata, mas que preciso fazer, meu cérebro tende a se desvencilhar dela ao deixá-la sempre para depois. Porém, se vejo qualquer oportunidade em me sentir feliz ao compartilhar uma boa novidade (mesmo que ela ainda não tenha acontecido), eu vou contar para alguém. E o que acontece quando você age dessa maneira? A pessoa para quem você contou a novidade entende que aquilo é mais do que concreto, portanto, é até natural te fazer várias perguntas, e muitas delas você mal se sente seguro para responder, porém, responde com alegria nas suposições. Além disso, provavelmente, passará uns dias e esta pessoa irá te perguntar:

“E aí, como foi? Deu tudo certo, né? Sabia! Quanto/Como/Onde você…..?”

E então você diz que nada do que já tinha contado realmente aconteceu ou ao menos não saiu como o esperado. E aí? Como você fica?

Assim como é natural para quem ouve uma quase novidade se empolgar porque ela considerava que tudo estava mais que concretizado, você sente uma leve (ou profunda) pressão vinda dessa pessoa. Sim, pressão para atender às expectativas que agora o outro tem sobre você. Pressão para não decepcionar o que o outro já montou em sua cabeça. Pressão pelas cobranças inconscientes que o outro te faz ao buscar por mais novidades (positivas) sobre o assunto. Isso tudo, de um jeito ou de outro, é absorvido por você. E como você ainda tem um caminho a percorrer até que aquela novidade vire uma novidade verdadeira, você vai sentir toda essa pressão. É como se fosse algo assim

“Vixi…agora mais do que nunca preciso mesmo que dê certo. Por que se não der, o que vou dizer? E com que cara?”

Aí se torna mais fácil compreender que esse astral dentro de você pode influenciar muito e de modo negativo nas suas próximas atitudes quanto ao assunto. Afinal, quanto maior a pressão, maior a ansiedade e maiores serão as chances de colocar tudo a perder. Serão 2 decepções: a decepção da falta da novidade que até então existia e a decepção de não ter atendido às expectativas que você mesmo colocou de si para a outra pessoa.

Moral da história: se é uma novidade muito importante para você, conte-a quando tudo JÁ deu certo. Porque enquanto você conta para alguém aquilo que ainda está caminhando, outras pessoas agem de maneira mais privada, livre de pressões extras e desnecessárias, apenas aguardando o momento certo de contar para quem quiser (ou não) ouvir, sem o menor receio das consequências em ter que se desmentir.

Por Luana Lie, Coach de Alta Performance | www.luanalie.com.br

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