Aos proletários dos 20 e 5, 30 e poucos anos

Já fomos a festas só para não ouvir dos amigos e não ser o esquisito; já compramos aquele celular Nokia azulzinho porque, cara, todo mundo tinha; já deixamos nossos pais nos darem o corte de cabelo mais fofo que julgassem ser o mais fofo; já bebemos por puro status do ser cool; já achamos um dia que estudar pra vestibular era o maior desafio do mundo que podia acontecer; já tivemos vergonha de andar por aí de óculos de grau; já julgamos tanto as pessoas por pequenos detalhes; já tivemos a certeza de achar que a vida é feita de uma profissão e nada mais. Já achamos tanta coisa que hoje não achamos mais, certo? Certo. Afinal o ser humano é a constante mudança. Já nos arrependemos de tanta coisa que fizemos, não fizemos ou já pensamos, certo? Errado. Se você tem seus 25, 30 anos não dá pra se arrepender do que sua vida foi até aqui.

Hoje quando pensamos que não deveríamos ter chegado tarde em casa e preocupado nossos pais aos 14, ou quando pensamos que não deveríamos ter dado tantas chances pra alguém que demos aos 17, não há porquê se arrepender. Não adianta dizer que se pudesse voltar atrás você faria diferente, porque não, você não faria.  Faria diferente se voltasse para trás com a cabeça de 25 vivendo a vida dos 14, 17 anos. E isso não faz sentido. Realmente, alguém de 25 anos nunca faria aquilo tudo que fizemos no passado. Mas se tivéssemos uma 2ª chance para viver a vida de anos atrás com aquela cabeça de anos atrás, faríamos tudo igual. Era aquela (i)maturidade que tínhamos, eram aquelas experiências que tínhamos vivido, era aquela ausência de questionamentos que existia. Então, não se arrependa daquilo que você fez até aqui, mas saiba que depois dos 30 e poucos sim, você pode se arrepender daquilo que não fez ou fez sem enxergar um sentido maior.

Estamos longe de ser a geração com uma puta bagagem de vida, estamos longe de ter a sabedoria dos nossos pais, mas o que vivemos até aqui é suficiente para dar nossos próprios passos. A maturidade que temos hoje, o nível de questionamentos sobre o que de fato nos traz felicidade, as mudanças nas mil maneiras de pensar, a não aceitação pelo jeito que muita coisa acontece no automático, a forma de enxergar o mundo, as conversas superficialmente non-sense que fazem muito sentido, o prazer que encontramos no Universo que, sim, existe fora do trabalho, as opiniões mais consistentes e profundas pro que de verdade vale à pena viver, a vontade de fazer mais não pelo mundo, mas por você, é o conteúdo mais valioso que alguém da nossa idade poderia ter para nos impulsionar ao nosso próprio caminho. Se talvez nós não fizemos até hoje o que realmente gostaríamos, hoje temos conteúdo suficiente e uma idade ótima para viver muito mais o que queremos viver e ser porque além de tudo, ainda há uma vida inteira pela frente.

Agora é a hora mesmo. Porque você pode sim chegar aos 50, 60 anos e se arrepender do que poderia ter feito aos 25, 30. Porque com 25 você tem autonomia pra fazer mais do seu jeito, você tem opinião, experiências, vontades e sonhos próprios, diferente dos 14 ou 20 anos que aceitamos o mundo do jeito que é e a felicidade reina mesmo assim. Essa passividade acabou. Hoje a briga que temos é muito mais com o nosso próprio eu, brigar para ter o impulso e assim fazer nosso mundo andar pra frente e parar de girar sem sair do lugar. Só não rola passar tempo demais brigando consigo mesmo até cair na real que a vida passou sem você viver. Não vale a pena ter medo de cair na piscina porque água está gelada. Depois que você entra você não se arrepende mais. O máximo de ruim que vai te acontecer é trazer uma experiência a mais que te impulsionará pras próximas. Se é esse empurrão pra dentro da piscina que te falta, cara, se vira para se dar esse empurrão.

Por Luana Lie, Coach de Alta Performance | www.luanalie.com.br

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